O fato de ter sido criado por você não implica que foi criado pra você,e o fato de ter criado pra você não implica dizer que foi criado por você. Acho que é nisso que se baseia o princípio de humanidade. Creio assiduamente que aquilo que serve de alicerce à qualquer relação humana é isso : não sei fazer B,algo em que você é expert,e sou expert em fazer A,o que vc nao sabe... porque nao eu fazer dois As com o meu talento pra nós dois,e vc fazer dois Bs ? Assim teremos A e B para com qualidade excelente tanto pra você,quanto pra mim.
E é aí que entra a tal da definição humana. O ser humano não se define por capacidade nenhuma que não seja o amor. Não necessariamente o amor por outra pessoa,mas o amor pela vida,pela chance,pelo prazer. Amamos sempre aquilo que geralmente não é feito por nós. Amamos o que não é feito por nós pois o fato de nao ter sido feito por nós mesmos nos surpreende,nos traz surpresas todos os dias...e a surpresa nos deixa satisfeito. Até mesmo um filho,infinitamente amado pela mãe,possui a metade dele advindo de outro ser que nao é a mãe (no caso,o pai). Ama-se não aquilo que é feito por você,mas aquilo que é feito pra você,ou aquilo que você ao menos quer que seja feito pra você.
Quando se tem um sonho,não é porque o que desejamos é feito por nós,mas sim porque aquilo que se sonha é algo que queremos que seja feito pra nós. Um homem que sonha em ter um cargo numa empresa,por exemplo: Não é ele que criou a vaga na empresa,ele sequer é dono da empresa,porém,a vontade dele é que essa vaga,criado por outros,seja dele algum dia.
É isso que move,é isso que nos faz lutar: o fato de não ser nosso,mas o fato de ao menos na imaginação,poder ser nosso.
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