sábado, 30 de outubro de 2010

por e pra.

O fato de ter sido criado por você não implica que foi criado pra você,e o fato de ter criado pra você não implica dizer que foi criado por você. Acho que é nisso que se baseia o princípio de humanidade. Creio assiduamente que aquilo que serve de alicerce à qualquer relação humana é isso : não sei fazer B,algo em que você é expert,e sou expert em fazer A,o que vc nao sabe... porque nao eu fazer dois As com o meu talento pra nós dois,e vc fazer dois Bs ? Assim teremos A e B para com qualidade excelente tanto pra você,quanto pra mim.
E é aí que entra a tal da definição humana. O ser humano não se define por capacidade nenhuma que não seja o amor. Não necessariamente o amor por outra pessoa,mas o amor pela vida,pela chance,pelo prazer. Amamos sempre aquilo que geralmente não é feito por nós. Amamos o que não é feito por nós pois o fato de nao ter sido feito por nós mesmos nos surpreende,nos traz surpresas todos os dias...e a surpresa nos deixa satisfeito. Até mesmo um filho,infinitamente amado pela mãe,possui a metade dele advindo de outro ser que nao é a mãe (no caso,o pai). Ama-se não aquilo que é feito por você,mas aquilo que é feito pra você,ou aquilo que você ao menos quer que seja feito pra você.
Quando se tem um sonho,não é porque o que desejamos é feito por nós,mas sim porque aquilo que se sonha é algo que queremos que seja feito pra nós. Um homem que sonha em ter um cargo numa empresa,por exemplo: Não é ele que criou a vaga na empresa,ele sequer é dono da empresa,porém,a vontade dele é que essa vaga,criado por outros,seja dele algum dia.
É isso que move,é isso que nos faz lutar: o fato de não ser nosso,mas o fato de ao menos na imaginação,poder ser nosso.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A verdade

Duas coisas me trouxeram a escrever o que eu estou para escrever. Primeiramente,quero deixar claro que eu realmente tenho dúvidas quanto à qualidade desse texto que está pra vir. E depois,quero ressaltar que de fato nada que está escrito aqui é verdade,no final do texto,você há de saber.
Num período no Brasil marcado por definições dos cidadãos quanto à política,e num período que me marco pelo estudo,graças ao Vestibular,e inevitavelmente me encontro em frente a uma matéria chamada história,eu me pergunto: onde é a verdade ? o que é a verdade ?
Acho que há uma boa frase de autoria de Napoleão Bonaparte que facilmente introduziria minha opinião,eis a peça "O que é a história senão uma fábula sobre a qual todos concordamos ?". Como definir períodos de glória e períodos de fracasso da humanidade ? A glória depende do fracasso. É necessário que o mundo mantenha uma constante,o número de glórias divido pelo número de fracassos é sempre uma constante. A vitória de X só vem sob a derrota de Y,e vice versa. A história então poderia dizer que houve uma vitória do Império Romano sobre A cidade fenícia de Cartago há mais de um milenio e meio atrás,mas a propria história esquece do fracasso dos cartagineses. É possível então declarar que houve uma vitória ? É possível declarar que houve uma derrota ? Essa resposta não é exata,é uma variável,dependente de com qual lente nós observamos esse fato. Uma versão romana diria que seria um fato glorioso,já a versão cartaginese seria um fato vergonhoso. É verdade então que existe a verdade ? O que é verdade no caso romano-cartagines: a vitória ou a derrota ?
A política,da mesma maneira,mostra o quão é imensa a relatividade. Partidos de Direita sempre mostram os bens feitos por eles,e os maus dos de esquerda. Enquanto os de esquerda fazem o mesmo. Logo,há sempre a inevitabilidade da total existencia daquilo que não é verdade. A verdade não existe,é relativa. A verdade depende muito mais de quem a observa do que do que é realmente observado. Se fossemos todos os seres humanos,por exemplo,capacitados de ver o amarelo no lugar do vermelho,acreditaríamos que sempre o amarelo seria o vermelho... Da mesma maneira é a nossa opinião,as vezes somos capazes de ver apenas o errado do fato e acabamos concluindo isso como o errado definitivo.

Por outro lado,a inexistencia de uma verdade absoluta não indica que a busca pelo conhecimento deve ser finita. Sendo a verdade um quesito infinito e inatingível,a vontade de saber deve assim também ser,ou seja,ser algo que corra com mesma velocidade que a verdade,mas sempre mantendo-se a uma distancia atrás da verdade. O universo roda assim.

Portanto,que sempre saibamos que nunca estaremos certos,mas que nunca,nunca,nunca consideremos que não deve haver a falta de vontade nem a incapacidade de ao menos ir atrás da verdade.

sábado, 23 de outubro de 2010

Conheça !

O mundo,tão grande que pode tudo.
E nós,em dúvida. Seríamos grandes por sermos parte do mundo,ou pequenos por pouco representarmos na imensidão do mundo ?
A essa pergunta,não possuímos resposta.E se possuíssemos,onde estaria a capacidade da palavra,que é mísera em relação ao mundo,de dize-lo ?
O homem é parte do mundo,e a palavra é criação do homem...É claro,portanto,que pouco há na palavra que possa representar veridicamente o mundo.
Primeiramente,a palavra é constante,sempre possui o mesmo significado. Já a interpretação humana,é variável com o humor,e o mundo,variável com a natureza. Como explicar uma variável com uma constante ?
Mas voltando ao mundo. Por que não conhece-lo ?
Conhecer as dores e alegrias
A força e fraqueza
A feiura e a beleza.
Conhecer o que ainda ninguem conhecia,ou conhecer o que todo mundo menos voce conhecia.
Conhecer o toque dos lábios,a força do abraço.
A dor do não,a felicidade do sim
A felicidade do não,a dor do sim.
Conhecer a glória,e reconhecer o que te fez chegar nela.
Conhecer o suor,a água fria.
Ver o sol,admirar a lua.
Se sentir o dono do mundo,ou sentir que o mundo é o seu dono.
A lágrima,o sorriso
o trono,a sarjeta.
A rosa,o espinho
o tapa e o carinho.

Conhecer novos lugares,conhecer e adquirir,por que não,novas culturas ? Dar espaço à viagem : não necessariamente aquela que te transporta fisicamente,mas aquela que te faz viajar em si mesmo. Conhecer a imensidão do mundo. E saber que a imensidão do nosso mundo é pouco perto da imensidão do mundo que sequer imaginamos que possamos um dia conhecer.
Conhecer e amar ou conhecer e refutar. Mas jamais deixar de respeitar o que se conhece.
Conhecer o que ja foi,por intermedio daqueles que viram o que ja foi e veem o que é.
Conhecer o que virá,nunca saberá. Pressupor o que virá,ai sim...talvez.
Há muito o que viver,a muito aqui que eu vim ver.
Eis o mundo,ele está ali...não está parado,mas está ali. Esperando que nós o vejamos

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Gostos.

Estranho é o tal do gosto.
Cada um com o seu,mesmo que o seu gosto seja não ter gosto.
Gosto de ver jornal debaixo do ar condicionado,ou de dormir na chuva.
Me agrada a capacidade de poder criticar algo. Assim como as críticas melhoram a pessoa criticada,acredito que aquele que critica,quando bem critica também faz um bem para si mesmo.
Me agrada a explosão muscular,me agrada a demonstração de força física por parte do meu próprio corpo. Assim como muitos se orgulham da velocidade do seu carro,ou da decoração de alguma casa, gosto de cuidar e de testar a casa que sempre terei que conviver com,caso eu continue continuar vivo,meu corpo.
Gosto de enaltecer meu ego,essa história de submissão não é comigo. Mas enaltecer meu ego,apesar de paradoxal, não implica necessariamente no orgulho soberbo.
Gosto de ir a aeroportos,de viajar de carro e colocar a cabeça no vidro gelado pela noite. Gosto de ver coisas novas,gosto de admirar coisas antigas.
Gosto de viajar na minha mente,tenho nela um universo enorme no qual posso fazer muita coisa. É interessante quando vemos que a nossa mente pode ser um mapa pra realidade,que ela é o plano de fuga caso o plano da realidade não dê certo.
Gosto do sonho,mas gosto dele ainda mais quando é realizado. Na verdade,gosto mais ainda do processo de realização dele. O suor é algo que me agrada.
Gosto de sentir a dorzinha no músculo depois de sair da academia. Gosto de abraçar e me sentir seguro,gosto de beijar a mesma pessoa e sentir um prazer que nunca tive antes. Gosto de imaginar o futuro,e gosto mais ainda de saber que de fato o futuro nunca será do jeito que eu imagino.
Gosto de usar o 'se',gosto de aprender,gosto de ser chato,e gosto de chatices.
Gosto de bobeiras,gosto de besteiras,gosto do mundo,gosto de tudo.
E você,do que que gosta ?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O solo da vida.

Hoje estava conversando com meu pai e acabei constatando algo: O ser humano cria seus limites como uma forma de conforto.
O fato de criar um limite para si mesmo,ou para a sua propria espécie, faz com que a pessoa possa simplesmente finalizar todo o dinamismo que existe na sua vida,toda a vontade pelo simples argumento de "já que há o limite,por que me esforçar ? nunca chegarei nisso mesmo,entre me cansar e nao chegar a lugar nenhum e me cansar e também nao chegar em nenhum lugar,eu prefiro nao me cansar".
É fato que o ser humano é um ser que preza por duas coisas principais: A primeira é o conforto,e a segunda é o algo mais. Mais fato ainda é que os dois são contraditórios,ou melhor...o conforto nunca poderá vir antes do algo mais.
Meu amigo,eu só te digo uma coisa: se você realmente crê que criar os seus limites é algo plausível,você não é nada mais do que um residente da mansão dos medíocres. Um homem é aquilo que ele diz,pensa de si mesmo.
Há também os homens duplamente inteligentes. Primeiramente por acreditarem que o limite é algo da razão,não do Universo. O proprio universo até hoje não se mostrou limitado,porque os seres presentes nele deveriam se mostrar se não fosse pelo proprio interesse ? Depois,por usarem do fato de muitos acreditarem que são limitados,e isso os faz geniais. A crença da inexistencia do limite faz os homens buscarem sempre algo mais,faz com que o universo até mesmo os forneça algo mais.
Ter amor à vida,ter a certeza que há o algo mais sempre no dia que vem,ou até mesmo no segundo que vem . Há a certeza de que há a enorme possibilidade que o mundo seja a terra para a plantação dos sonhos,e que essa terra é mais extensa que a imaginação humana. O homem só não é capaz de algo : de se declarar incapaz.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cap. 1

Era só ele. Ali. Sua cabeça estava em outro mundo,se protegia por meio de uma touca e ao mesmo tempo se desligava do mundo. Na metade arquibancada as pessoas gritavam,bravejavam,cantavam jingles da equipe,mas pouco disso se ouvia. Era ele e ele. Do lado dele,outro. Outro que também se desligava do mundo,outro que também vestia uma touca,mas esta de cor diferente. E a arquibancada,em sua outra metade, gritava,esbravejava e cantava também jingles,mas estes diferentes dos cantados pela primeira metade. O seu ego impedia-o de olhar pro lado. Os músculos se sentiam refinados,preparados e descansados para liberarem toda a força adquirida no ano. Com o outro não era diferente.
O juíz apita,ambos sobem no bloco
O primeiro se abaixa e olha fixamente a água.
O segundo mantém um olhar fire pra frente.
O juiz,novamente se expressa: "às suas marcas"
O primeiro garoto possui metade de sua visão em frente a água,e outra metade em frente ao bloco.
O segundo faz o mesmo.
"Paam". Soa o sinal da largada. Ambos saem rapidamente e vão de encontro a água. Entram em perfeita sintonia,sintonia tão grande que pouca dessa água quis sair da piscina quando os corpos entravam nesta. O primeiro garoto,com pernas mais fortes e pulmão maior começa sai da água na frente,o segundo,meio corpo atrás.
Mas todos sabiam que ele não ficaria atrás por muito tempo. Sua enorme envergadura o permitiria se aproximar rapidamente do primeiro rapaz. E isso acontece.
Aos 50 metros ambos estão juntos novamente. Os próximos 150 metros seriam de dor - o lactato parecia consumir seus músculos. E tensão.
O fato de serem atletas forçava-os à genialidade. Precisavam equacionar de modo preciso o quanto deveriam forçar em cada braçada,pernada,o quanto e quando deviam respirar ou deixar de fazê-lo. Precisavam tirar do seu corpo o máximo que podiam,e eles não estavam dispostos a ter como resultado do seu cansaço a derrota.
(...)Passava um Flashback na cabeça dos dois,tudo que aconteceu... o quanto foi sofrido chegar até ali.