sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Estuário

Esse momento que ando vivendo me fez refletir sobre um fato interessante ontem quando ia dormir. Estou num estuário,mas não vou explicar agora a razão disso.
Como postulante a uma vaga de Medicina em qualquer na UFU tenho que estudar filosofia,e uma das maneiras interessantes de gravá-la é fazendo associações com o que costumamos vivenciar. Os últimos dois filósofos que vi foram Heráclito e Parmênides,e depois de um período pré sono cheguei a conclusão que a aplicação de teoria de ambos seria viável à minha situação
Segundo Heráclito, há o eterno devir das coisas. Nada é o que ontem foi e não será o que hoje é. De fato,hoje eu tô em dúvida no que sou. Sim,sei que sou um ser bípede,falante e com o encéfalo,creio eu,desenvolvido,porém,não sei se hoje sou um estudante de terceiro ano,ou um universitário.
Estudante de terceiro ano eu não sou,já formei e to com meu boletim bonitinho entregue em mãos dos meus artesãos. Também não sou estudante de faculdade,nem entrei lá ainda oras. Ou será que sou os dois ao mesmo tempo ?
Bom,ao entrar também em concordancia com a teoria de Parmênides,eu teria que refutar a ideia de ser os dois ao mesmo tempo. Não se pode ser e não ser a mesma coisa ao mesmo tempo. Se sou estudante de terceiro ano,não sou estudante de faculdade. Se sou estudante de faculdade,não sou estudante de terceiro ano. Então por que cheguei a pensar que eu era os dois ?
A resposta talvez esteja no fato de eu ainda nada ser realmente em concreto. Talvez a mudança exija que nós extinguemos uma característica nossa para dar espaço para a entrada de outra. Já extingui de mim o meu estado de 'aluno do colegial',mas eu não consegui ainda o 'título' de estudante da faculdade. É como se eu tivesse num corredor entre dois quartos,sendo que o primeiro quarto eu tranquei e joguei a chave fora,e o segundo ainda está trancado. É como se eu estivesse num estuário,já dei tchau para o rio,mas ainda não cheguei ao mar.
É por estar nesse estuário que eu nado contra a maré,contra a correnteza,enfim,contra aquilo que possa de vir de negativo pra mim. Nado em busca de poder chegar no mar. No rio,eu era um peixinho. Entrarei no mar ainda um peixinho,mas a conquista do oceano me ajudará a nadar com tubarões um dia,por que não ? Mas antes do mar,tenho que superar o estuário,a foz.
E como superar o mar ? amar.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sábios como Hipocrates ou como os hipocritas ?

Estranho a hipocrisia do conhecimento. Talvez a vida em comunidade e a padronização de regras torne o ser humano um hipócrita quase por natureza. A determinação de regras e ideais sociais faz com que o homem tente esconder muito do que tem,e queira mostrar um pouco do que não possui. Nos tornamos hipócritas e refens de nós mesmos,refens da nossa incapacidade.Isso acontece porque tomamos como verdade não o que somos,mas o que esperam que sejamos.
Da mesma maneira é o conhecimento. Hoje é óbvio que a Terra é redonda,que ela gira em torno do Sol,e que há vários sistemas solares dentro de várias galáxias. Por sabermos isso,de certa maneira condenamos os nossos antepassados por não conhecerem tal fato,consideramos o conhecimento antigo algo extremamente equivocado,mal desenvolvido. Mas ao considerar o passado equivocado nós apenas repetimos o que eles faziam. Assim como a Igreja Católica no passado determinava apenas uma via de conhecimento,a ciencia hoje determina uma mesma via de conhecimento.Será que os nossos tetranetos criticarão o muito do falso saber que hoje a ciencia carrega consigo da mesma maneira que criticamos hoje o falso saber determinado pela Igreja no passado ?
De fato,somos falsos e fingidores conosco. Somos determinados por padrões. Há sim espaço para a nossa individualidade,mas essa é limitada. Por que não as vezes contestar uma ordem ? Por que não contestar algo que eles dizem totalmente certo ? Toda certeza possui uma brecha para o erro,toda incerteza possui um espaço para o acerto. Assim se constrói o saber,pelo fato de não saber.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um ponto de vista.

O erro está no exagero,na tomada de um padrão como certo e segui-lo para sempre como o adequado. O erro está em não se flexibilizar
Errado é que bem trata o chefe,mas não dá bom dia ao porteiro. Errado é quem toma a proporção economica como a válida na hora de ser educado ou mal educado com alguem. A classe não reside em repugnar o menos favorecido economicamente,e sim a todos valorizar.
Aqueles que divergem sua forma de tratamento nada são,pois não são constantes. Já dizia Aristóteles que somos aquilo que repetidamente fazemos. Um homem ou uma mulher que alterna simpatia e indiferença nada é,porque nada repetidamente faz a não ser a formação de uma onda de personalidade,com cristas e vales. E o pior de tudo,é que acham isso bonito.
Vivemos numa sociedade que se valoriza uma bolsa de marca no braço,mas não valoriza que se levante esse braço para acenar para alguém. Numa sociedade que os valores consumistas e financeiros tomam proporções tamanhas que nem sequer o caráter pode exercer uma força contrária que mude a resultante disso. Muito mais respeitado é um rico desonesto que um pobre trabalhador. Mas ao mesmo tempo,deixo claro que não considero de maneira alguma que todos os ricos são desonestos e que todos os pobres são trabalhadores,isso iria de acordo com a moral do escravo nietzschiana,e definitivamente não agrada. O fato é que não conseguimos sempre determinar uma consequencia A pela existencia necessária de uma causa B. Há combinações de causas Cs,Fs,Gs,Hs e Zs que juntas podem levar a uma consequencia similar a levada pela causa A. Logo,não critico a riqueza,nem a pobreza,mas critico o espírito porco dos pobres de espírito que enxergam a educação apenas nas relações entre pessoas da mesma classe social. A educação,a gentileza,e a simpatia nao separam classes,não separam raças,não separam generos e não separam pessoas.
Tratar a todos como humanos,sem esquecer que somos os mesmos,diferenciados por acidente. Mostrar ao mundo que devemos tratar de maneira igual os diferentes,e que não devemos nos sentir superiores nem inferiores a ninguém.
Enfim,...agora,tenho vontade de dormir. Se esse texto tem uma conclusão,que você a faça,te dou essa liberdade.
Se o tiro nunca for dado,a caça nunca será capturada. A caça constante que nos move não é a de animais nem de humanos,buscamos por coisas que não morrem com tiros, nem sequer se preocupam com eles. Aquilo que buscamos está ao mesmo tempo dentro de nós e de fora. É a união da nossa capacidade com a oportunidade que o mundo dá,a fusão da sorte e da habilidade, a ocorrencia da situação e da atenção.
Devemos dar o tiro,devemos laçar a dúvida e fazê-la de nossa refém,até que ela se diga uma verdade concreta.
Pescador,pesque a dor de dentro de ti e jogue a fora do seu barco
Pescador, tome o peixe de suas ilusões,jogue-o para dentro do seu barco, frite-o,tempere-o,faça dele teu,e que seja a ilusão a tua realidade.

Pescando ilusões

Tentando outras vezes.