Era só ele. Ali. Sua cabeça estava em outro mundo,se protegia por meio de uma touca e ao mesmo tempo se desligava do mundo. Na metade arquibancada as pessoas gritavam,bravejavam,cantavam jingles da equipe,mas pouco disso se ouvia. Era ele e ele. Do lado dele,outro. Outro que também se desligava do mundo,outro que também vestia uma touca,mas esta de cor diferente. E a arquibancada,em sua outra metade, gritava,esbravejava e cantava também jingles,mas estes diferentes dos cantados pela primeira metade. O seu ego impedia-o de olhar pro lado. Os músculos se sentiam refinados,preparados e descansados para liberarem toda a força adquirida no ano. Com o outro não era diferente.
O juíz apita,ambos sobem no bloco
O primeiro se abaixa e olha fixamente a água.
O segundo mantém um olhar fire pra frente.
O juiz,novamente se expressa: "às suas marcas"
O primeiro garoto possui metade de sua visão em frente a água,e outra metade em frente ao bloco.
O segundo faz o mesmo.
"Paam". Soa o sinal da largada. Ambos saem rapidamente e vão de encontro a água. Entram em perfeita sintonia,sintonia tão grande que pouca dessa água quis sair da piscina quando os corpos entravam nesta. O primeiro garoto,com pernas mais fortes e pulmão maior começa sai da água na frente,o segundo,meio corpo atrás.
Mas todos sabiam que ele não ficaria atrás por muito tempo. Sua enorme envergadura o permitiria se aproximar rapidamente do primeiro rapaz. E isso acontece.
Aos 50 metros ambos estão juntos novamente. Os próximos 150 metros seriam de dor - o lactato parecia consumir seus músculos. E tensão.
O fato de serem atletas forçava-os à genialidade. Precisavam equacionar de modo preciso o quanto deveriam forçar em cada braçada,pernada,o quanto e quando deviam respirar ou deixar de fazê-lo. Precisavam tirar do seu corpo o máximo que podiam,e eles não estavam dispostos a ter como resultado do seu cansaço a derrota.
(...)Passava um Flashback na cabeça dos dois,tudo que aconteceu... o quanto foi sofrido chegar até ali.
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